sábado, 25 de abril de 2015

Cantiga do Desatamento


É estranho não sentir nada
Nem remorso, nem arrependimento, nem saudade
É estranho estar sem palavra
Nunca foi um amor de verdade
O tempo passa, ora rápido, ora lento, mas passa
Não é eterno nenhuma felicidade
Mas a tristeza também não o é
Nem o estado de anestesiamento
Aniquilará alguma fé
De que as nuvens passarão
E eu, qual passarinho
Voarei a outro ninho
Habitarei algum espaçoso coração!

Amanhecer



Uma noite inteira é muito tempo
Sem  você
Me agradaria ouvir sua voz
Até o adormecer 
O seu rosto ao fechar os olhos
É único que consigo ver
É como se você sempre existisse em mim
Sem eu perceber

Tem uma coisa muito estranha
Acontecendo comigo
É como fosse o mais belo poema
Que decifrar não consigo 
Sinto que meu coração ao seu 
Tende a ficar unido
Mas sinceramente não vejo nisso
Algum sentido

Asas, me deem asas
Para longe voar
Não posso nas mesmas águas turvas
Voltar a naufragar
 Um novo sentido, um novo rumo
Tá na hora de eu tomar

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Reim

Você é a rima perfeita
Acima de qualquer suspeita
A melodiosa canção do entardecer
Você é a estrela mais alta no céu
O mais valioso troféu
Está muito além do meu poder.
Sonhei uma vez com o dia
Que para baixo, você via
E que bem talvez
Pudesse me ver
                    me enxergar

 Não! Não olheis para mim
 humilde escrava que vive para escrever,
Me alimento de palavras
Sonho com o impossível
Escrevo o que sonho
Irreconhecível,
Vivo o que escrevo
 irreversível
                      para te encontrar



Nas palavras posso fazer o que quiser
Com qualquer desilusão que vier
Posso trazer ao seu fim
Qualquer dor ou amor em mim
Posso até mesmo entender
Esse meu vício em escrever
Posso fazer de conta que você se importa
Posso limpar meu coração, e fechar a porta
                              Posso reinventar
                           
                       

Não olhes para esse poema
esse maldito escrito que escorre de meus dedos
Não posso ouvir, não posso sentir
Nada além das letras, linhas, versos
Rima torta
Palavras mortas
carregam dentro de si universos
                           que jamais ousarei recitar

Flehen

Seu coração está frio
seus olhos estão estranhos
não há o mesmo brilho
que vinha deles, tão castanhos

seu riso parece forçado 
sua preocupação tornou rotina
será que há fadiga 
de ficar ao meu lado?

não vá embora
não vá por favor
não vá agora
você está tão além de mim
faça-me acreditar, enfim 
que perto irás ficar

Fique não se vá 
Mesmo não podendo me amar
Se for por pena, fica
Continue na minha vida 
Mas não deixe esse poema acabar...