domingo, 6 de dezembro de 2015

Reanimação




E dói quando respiro
Duvido se ainda existo
Mas sinto você por aqui
Há em mim temor
Pra respirar sinto dor
Minha mente sinto esvair
E em meio a confusão
Você me embala em canção
Ao longe ouço:
"Olhe para mim de novo"

domingo, 15 de novembro de 2015

Entre Mares


As vezes eu paro
As vezes eu penso
Será que ainda pensa em mim?

Quando na noite a lua está alta
E o céu não parece ter fim
Será que lembra que essa mesma lua
Brilha também aqui?

Há um oceano entre nós
Mas não é só de água que o mar é feito
Há o medo de se estar só
Há sangue, há lama, e há nossos defeitos

Que nos afastam de quem amamos
Que destrói o que conquistamos
Não importa se hesitamos
Assim acabamos

Na janela do avião
Ao cruzar o oceano
Segure firme em suas mãos
As sementes de amor
Que por orgulho não semeamos ...


Poema XV



Perdida no escuro eu te achei
Perdido no escuro você me criou
Oh! Tuomas, me ensinaste a esconder nas palavras
Toda a dor 

Me convidaste a um passeio em seu jardim secreto
Envolvendo-me nas delicadezas de sua poesia 
Em sua coreografia me ditas diversos,
Em reciprocidade há melodias 

Deixe-me brilhar em seus olhos atentos
acariciando-lhe os cabelos em versos 
Fazendo cada detalhe de nossos universos 
Imortal na lenda dos tempos 


terça-feira, 16 de junho de 2015

Ao Menestrel



Poeta que habita no natural
Tão monumental é teu ser
Artista que vive nas trevas
Tantas quimeras há em seu viver
Não olheis para defeitos de ao redor
Sendo o seu melhor não há o que temer
Poeta de olhos brilhantes
Em instantes verás que irás crescer
Eu venho do lixo, do lodo onde habitei
E sei que em algodão é envolto o teu ser
Crês que és obscuro no entanto mais clara
Que a lua, toda em amostra, tu estás a aparecer
Eu, uma triste do bardo que deixou-se de amor finar
Tu, menestrel de coração largo
Voo irás alçar
Voe longe rouxinol, minha avezinha
Perdoe-me a fonte do nosso entristecer
Habitaremos felizes na poesia
Há nossos versos em cada amanhecer

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Réquiem



Recordo-me de seus olhos
Em azul celeste repousado nos meus
Castanhos campestre
Eram tão cheios de vida...
Seu sorriso
Muito expressivo
De emoções jamais sentida
E hoje, seus dias friamente contados
Em breve, olhos cerrados
Nada poderemos falar
Além de lamento
Em tormento
Entoar
Não, de todas as maldições
A morte nunca foi por mim desejada
Por mais que por ti acreditei um dia estar enamorada
Durou três dias
E não sentia mais nada
Foi um erro, pode até ser
Hoje casado, estás para morrer
E eu sem a palavrinha pronunciada
"Me perdoe" não o disse
E dentro em breve, tu não mais existe
E eu aqui, amordaçada
Descanse em paz, meu leal amigo
Seus olhos azuis, de céu infinito
Iluminam a vida
de seu atual amor
E eu que lamentei ter te conhecido
Hoje sei que melhor nos saímos como amigos
Do que os três dias de conturbado relacionamento,
Perdoe-me, Senhor!





sábado, 25 de abril de 2015

Cantiga do Desatamento


É estranho não sentir nada
Nem remorso, nem arrependimento, nem saudade
É estranho estar sem palavra
Nunca foi um amor de verdade
O tempo passa, ora rápido, ora lento, mas passa
Não é eterno nenhuma felicidade
Mas a tristeza também não o é
Nem o estado de anestesiamento
Aniquilará alguma fé
De que as nuvens passarão
E eu, qual passarinho
Voarei a outro ninho
Habitarei algum espaçoso coração!

Amanhecer



Uma noite inteira é muito tempo
Sem  você
Me agradaria ouvir sua voz
Até o adormecer 
O seu rosto ao fechar os olhos
É único que consigo ver
É como se você sempre existisse em mim
Sem eu perceber

Tem uma coisa muito estranha
Acontecendo comigo
É como fosse o mais belo poema
Que decifrar não consigo 
Sinto que meu coração ao seu 
Tende a ficar unido
Mas sinceramente não vejo nisso
Algum sentido

Asas, me deem asas
Para longe voar
Não posso nas mesmas águas turvas
Voltar a naufragar
 Um novo sentido, um novo rumo
Tá na hora de eu tomar

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Reim

Você é a rima perfeita
Acima de qualquer suspeita
A melodiosa canção do entardecer
Você é a estrela mais alta no céu
O mais valioso troféu
Está muito além do meu poder.
Sonhei uma vez com o dia
Que para baixo, você via
E que bem talvez
Pudesse me ver
                    me enxergar

 Não! Não olheis para mim
 humilde escrava que vive para escrever,
Me alimento de palavras
Sonho com o impossível
Escrevo o que sonho
Irreconhecível,
Vivo o que escrevo
 irreversível
                      para te encontrar



Nas palavras posso fazer o que quiser
Com qualquer desilusão que vier
Posso trazer ao seu fim
Qualquer dor ou amor em mim
Posso até mesmo entender
Esse meu vício em escrever
Posso fazer de conta que você se importa
Posso limpar meu coração, e fechar a porta
                              Posso reinventar
                           
                       

Não olhes para esse poema
esse maldito escrito que escorre de meus dedos
Não posso ouvir, não posso sentir
Nada além das letras, linhas, versos
Rima torta
Palavras mortas
carregam dentro de si universos
                           que jamais ousarei recitar

Flehen

Seu coração está frio
seus olhos estão estranhos
não há o mesmo brilho
que vinha deles, tão castanhos

seu riso parece forçado 
sua preocupação tornou rotina
será que há fadiga 
de ficar ao meu lado?

não vá embora
não vá por favor
não vá agora
você está tão além de mim
faça-me acreditar, enfim 
que perto irás ficar

Fique não se vá 
Mesmo não podendo me amar
Se for por pena, fica
Continue na minha vida 
Mas não deixe esse poema acabar...