sábado, 20 de dezembro de 2014

A Partida

A caminho de uma nova vida
Mudanças são necessárias
E então a brisa me conta
Dos rostos novos que verei
Das brigas e das pazes que terei
E das que ficaram para trás
Levo-as de algumas maneira em minha bagagem
O ar do interior é mais leve
é mais serena as ruas
As silhuetas são mais raras
E então a mente terá repouso
Poderei cumprir que votei
E depois, eu não sei
Eu escreverei uma nova história

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Rainha Lua e Sua Corte de Estrelas


A noite de céu estrelado
Se iguala a um romance com caracteres codificado
Cada ponto brilhante das vestes em luzes
Se assemelha a corte real, com seus porta-lumes
E a rainha lua, jaz em seu trono
Parece banhada em prata a áurea em seu contorno
Tanta riqueza lá no céu, que não consigo alcançar...
Posso desenhá-las em versos, e nos versos poderei habitar!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Morena



Ei morena!
Para que tanta máscara?
Para que tanta cor
Se é seu coração que está em pedaços?

Ei, morena!
Para que tantos contornos
Se estão embaçados
Qual nevoeiro
Esses olhos de saudade?

Por que esconde-te o sorriso
Guarda-te o silêncio
E a noite já não é mais?

Ei morena, e por aquilo que me sacrificou
Para depois dispensar
E no fim, voltar ao começo?

Ei, morena, és mais feliz agora?
O que protegestes, protegeu-te
Qual anjo da guarda?

Ei morena, sei que não se importa
Ao pedir-te, fechar atrás de ti a porta
Ao ir embora de meu coração

O vento frio da mágoa
Poderá congelar
Qualquer centelha que por ventura
Ali restar...

Quem sabe, não


sábado, 6 de dezembro de 2014

Dunkelheit

Aqui de novo
Nesse lugar frio, úmido, escuro, solitário
Única imagem que vejo é a da sua face
Cada vez que fecho os olhos
Aqui, nessa treva
Desejo seu abraço e suas palavras me confortando
Aqui eu não consigo desejar nada se não
Que a morte me alcance para me livrar dessa dor
Eu corro corro e corro
para fugir de você, mas sempre no fim eu te encontro
Não sei o que fazer para me livrar desse vicio de você
Então me mate, me mate dentro de você porque eu não posso mais
Não tenho para onde ir
Se não para o fundo de seus olhos
Nada me aprisiona mais quanto minha própria mente,
e lá só existe seu fantasma a me atormentar
Então em abrace, então fale comigo pela última vez
Então vá embora como você sempre vai no final
Um repouso eterno é o que procuro
Não me despertem se não quiserem
Nada é tão infinito quanto esse buraco que há aqui dentro
Eu quero gritar, eu quero chorar
Mas suas mãos em minha boca abafa qualquer som
Sua imagem em meus poemas
Em meus sonhos
Em meus amigos ...
Não me deixem aqui sozinha
Esse lugar é frio e obscuro
Sinto um medo que nunca senti antes
Só sua lembrança me conforta
E atormenta ao mesmo tempo
Então pegue minha mão e me leve para sua vida
Ou me tire dela para sempre



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Meu coração fez tum tum
Pelo homem atrás desses óculos
Meu coração fez tum tum
Pelo menino a espera da mãe que nunca chegou
Meu coração fez tum tum
Mas ele nem nota minha presença
Meu coração fez tum tum
Por alguém que só olha pra frente e estou logo ao lado seu
Meu coração fez tum tum
Por seu sorriso de sol e pela lua em seus olhos
Meu coração fez tum tum
Ao sentir o carinho de Deus pelo homem que você se tornou

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Foto: Leandro Carvalho
Já no barco olhe a frente
Não pense em nada, ao menos tente
Sinta  a brisa e o cheiro do mar
E a luz do sol que está quase a te cegar



Ele

Vi o que poderia ser meu futuro
Logo a frente
Vestindo ouro
Mas de costas para mim
Vi o que poderia ser meu futuro
Com a camisa inflada
Contra o vento, acompanhado pela infância...
Em meus escritos
Eu poderia fazer o que eu quisesse
Com aquele que poderia ser meu futuro
Neles, eu poderia pará-lo e fazê-lo me esperar,
Poderia fazer sua face,
sua linda face voltar-se para mim
E vir me alcançar,
Poderia fazê-lo alcançar minhas mãos,
Suas lindas mãos fortalecendo as minhas
Acompanhado por rimas
Em meio a cantigas
Poderia até fazê-lo por mim se afeiçoar
Mas não,
Preferi o sigilo e a liberdade
Deixando-o ir, sem ao menos notar minha presença
Vi o que poderia ser meu futuro
Atravessar uma rua, dobrar uma esquina
E ir embora
Livre, com a liberdade que prezo tanto
Às vezes deixar alguém ir embora
É uma forma de amar...


Verräter

Aqui embriagada com esta melancolia
Contemplo a leveza do egoísmo
O coração dilacerado por seus próprios desejos
Matando aos pouco aqueles
Que fizeram dali sua morada
Aqui embriagada com essa nostalgia
Contemplo a canção
Instrumentos de cordas e poesia
Tentando acalmar
Vozes que dilaceraram mentes sãs
Ou que um dia foram
Aqui embriagada num amor não correspondido
Contemplo a leveza da ambição
Que carregou a quem tanto amamos um dia
Aqui atada a suas próprias conclusões
Contemplo a leveza do que juraram ser integro
Forte e eterno
Jurando incêndio incandescente
Lavas incontroláveis
Mas que ao primeiro sopro quase sem fôlego
Extinguiu a chama qual vela
mecha chamejante, trêmula
Incapaz de sustentar a si mesma
Aqui, embriagada em sua própria indignação
Contemplo as cinzas
De um palácio que um dia
Abrigou tantos feridos e desafortunados
Que agora, parados
Contemplam suas próprias ruínas