sábado, 25 de janeiro de 2014

Crescer faz mal aos sonhos das crianças

 


    E o dia de hoje tem o cheiro de 18 anos atrás. Tem o sentimento de 18 anos atrás. Tem a melancolia de 18 anos atrás. No dia de hoje senti novamente aquele friozinho na barriga que senti ao ver-te pela primeira vez. Você era só uma criança. E eu tinha 8. Seus olhos verdes, me disseram que eu nunca mais esqueceria disso. Lembro das cadeiras rosas, e algumas de palhas. Lembro de você vestindo azul. Sempre o mesmo azul de domingo. Eu tinha tantos planos. Tantas esperanças. Sonhava em mudar o mundo, com você ao meu lado. O tempo passou. Você se tornou um belo rapaz. Um jovem rapaz de 18 anos de ternura. E eu 14. Nada era mais belo que seu sorriso. Meus primeiros e melhores poemas foram sobre ele. Eram segredos. Mal eu sabia. Mas daí a gente cresce, e descobre que crescer faz mal para os sonhos das crianças. Nos separamos de novo. Por anos, longos anos. Hoje eu 26. E você casado. Ainda há poema em seu riso. Poema escrito para outra pessoa, não eu. Nunca. Aliás, nesses reencontros da vida uma amiga sua me disse: "Adivinha quem foi apaixonado por você sua infância e adolescência inteira? Adivinha quem fez de você sua mais bela canção durante 13 belos anos?" Sim, ela me disse que foi você. E todo aquele sentimento, adormecido, despertou em um súbito tormento. Eu fui amada. Eu fui amada! Eu fui amada por quem mais amei! Nada se compara a isso, nós nos amamos, no fundo eu sempre soube toda vez que você esquecia seus olhos no meu. Ou quando você, ao me cumprimentar, esquecia suas mãos nas minhas. Isso é belo, uma história bela. Nos encontramos, escolhemos caminhos distintos. Você acompanhado. Eu sozinha.  Mudei de endereço, mudei a cor do cabelo, no entanto não mudei o mundo, nem consegui estar ao seu lado. Mas o tempo que meu amor foi seu, ele foi apenas seu. E o tempo que seu amor foi meu, ele sempre será meu, pois eu o eternizei em palavras. E cada vez que eu o ler, eu farei viver os 13 anos adormecido. Hoje somos dois adultos com amores e caminhos diferentes. Mas as crianças do passado, sempre irão se amar. Estão presas lá e ninguém poderá mudar o que já foi.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

HUMANO-SER



A depressão me surrou,
Dilacerou o meu ser, 
espancou minha dignidade 
de voltar a crer
No amor que se foi
E que eu nunca mais pude ver
Personificaram as coisas
E coisificaram o 'humano ser'

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Segredo



Necessito escrever uma história
Uma história presa em meu peito
Minha vida presa em rimas
Que não consigo confessar
Como uma estrela pintada de vermelha
Ele se destacou em meio de outros...
Eu desejei conhece-lo a vida inteira
sem suspeitar de sua existência
Ele saiu de meus versos
Encarando-me algum dia...
E hoje tudo isso faz parte
De meus segredos

E hoje o sinto aqui
Como se vivesse em mim
Como se vivêssemos assim
Em um universo paralelo
Escondidos entre nossos versos
Entre pautas e notas
Entre sustenidos e bemóis

Ai céus! Vivo entre agonia
Do que se vai com o dia
Do que some com o sol
E nessa guerra ao qual vivo
Liberto meu dolorido espirito
Dessa agonia sem igual

Perdida entre as letras que escrevo
Te inventei sem medo
Desenhei em palavras
Para por perto sempre o ter
Sinceramente não desejo te conhecer
Porque sempre o conheci
E no momento em estivermos frente a frente
Iremos nos reconhecer!
















sábado, 4 de janeiro de 2014

Beijo de Boa Noite



Dorme em paz, já é  madrugada
Feche os olhos e a casa que a rua já dorme
Suas melhores lembranças se convertem em sonhos
E seus melhores sonhos se tornam realidade
Dorme menininho, deixe a lua velar teu sono
A mesma lua a brilhar em minha janela,
Com seu manto azulado que me carecia


                      Canto para ti versos rimados
                       Até que o sono venha me abraçar e embalar em seus braços:

"Dorme menininho que os fantasmas não vem
Dorme menininho, que tudo fica bem           
Dorme menininho que eu serei um alguém    
A velar teu sono por muito tempo. Amém!"