quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pés Descalços



Olhe de novo
pense com gosto
guarde o rosto
de quem nunca viu
de quem não sentiu
o beijo no rosto
não lembra do gosto
do pão a mesa posto
que vive no frio
de pés descalços
que anda no asfalto
que sente o gelado
de corações sombrios
Olhe pra essa gente
que não é como a gente
que com sorte frequente
chega em casa com sua gente
que toma um banho quente
Se sentindo contente.
Olhe de novo!
Guarde seu rosto
Não se faça de bobo
Talvez esse moço
Não sabe de amor
Não lembra do calor
Seja como for
Não o julgue indigente
Trate-o como gente
Não interessa se mente
ou o que vive em sua mente
Ou o que lhe satisfaz
Se sentires em paz
Da-lhe um café
Dê-lhe um pouco de fé
Cubra os seus pés
O mantêm aquecido
Não o deixe esquecido
No fundo da memória
Não lhe convém a vitória
A desgraça ou a glória
Somente o afeto
aquele bem de perto
Mesmo de um desconhecido
Dos outros esquecidos
Na vida sem sentido...
Ao lhes estender a mão
Não espere a gratidão
Como disse um cidadão
"A recompensa está na alegria
que tereis no coração
Protegei os desgraçados
Orfãos de toda afeição
Sereis abençoados
por um pedaço de pão"
Ou por um pouco de atenção!